Sexo, drogas e rock and roll, essa era a máxima adotada por vários jovens, que buscavam por liberdade e reconhecimento social e político no século XX. Poderia até soar como rebeldia, ainda porque era uma época onde as pessoas viviam com um certo pudor, hipócrita, mas acredito que se conservava valores que hoje são desprezados.
Porém, o século mudou e com ele veio outra geração com tendências e comportamentos um tanto quando peculiar, principalmente em relação ao sexo, que deixou de fazer parte do aclamado slogan de uma juventude que se sentia oprimida, e passou a ser adotado na rotina do jovem como se fosse algo corriqueiro. O que antes fazia parte de um discurso clamando por liberdade, hoje é a face da libertinagem.
Infelizmente, a busca pelo prazer, excitação e o êxtase cotidiano, tem feito do sexo um produto de mercado como se as pessoas estivessem à venda com seus corpos expostos em vitrines é o que afirma o psicanalista Jurandir Freire, que acredita que a banalização do sexo está na inscrição no circuito da mercadoria, da articulação do prazer sexual na lógica de mercado. "Não estamos mais como antes, utilizando o sexo para vender mercadorias; o próprio sexo, hoje, é a mercadoria", explica o especialista.
Fico espantada de ver o quanto nós evoluímos rápido em tecnologia, indústria, cultura, e na mesma velocidade em que descobrimos esses meios, estamos nos degradando como seres humanos. Estamos amando menos e transando mais. Antes relação sexual era como "fazer amor", hoje, é pegar, trepar e mais esses termos chulos que tranquilamente são divulgados na mídia e facilmente absorvido pelas crianças, que estão cada vez mais precoses. E sabe se lá Deus no que isso vai dar!
De acordo com Jurandir Freire, mesmo diante da exacerbação do sexo, ainda existem ideais onde pode se abrigar a vontade de ser algo além de sexos e corpos consumidores de sensações de produtos industriais. " Somos seres de imaginação que jamais estarão satisfeitos ou saciados com o que lhes é oferecido. Queremos sempre ir adiante, queremos sempre outra coisa, e é nisso que confio para acreditar que vamos ultrapassar esse periodo de entressafra na produção de sonhos de uma vida melhor e mais digna".
Para o psicanalista o romantismo e a fidelidade ainda não morreram e outros sonhos vão engrossar a fileira dos que querem voltar a se interessar pelo mundo e pelos outros. " Isso mostra que somos mais, muito mais, que as imagens esteriotipadas, apequenadas, grudadas na pele, que nos querem obrigar a engolir espírito a dentro".





